2011: respirar dentro e fora da web

Time Person of the Year 2011A última edição do Link, do Estadão (18/12/2011) fez um resumo dos acontecimentos de 2011 que apresentaram conexão visceral com a internet. Apesar de alguns exageros como “a primavera árabe mudou tudo”, os textos são interessante e ajudam a refletir sobre as verdadeiras mudanças que estamos vivendo. Convivemos com a maioria da população em sua habitual apatia, mas permanecer assim é uma escolha. Em diversas ocasiões históricas, nos países que agora veem esse turbilhão, nem essa opção havia. Mas a apatia pode ser também, como no caso do Brasil, fruto da falta de educação e de informação, porque ainda há um longo caminho a percorrer na integração digital. O que não diminui, pelo contrário, intensifica a relevância dessas transformações.
O editor do caderno, Alexandre Matias, explica que 2011 viu o fim do grande produto da Apple – o próprio Steve Jobs –, mas também assistiu a esse mesmo vazio sendo preenchido longe das biosferas digitais. Milhares de pessoas tomaram as ruas em centenas de cidades ao redor de todo o mundo para reclamar dessa insatisfação generalizada. Começou logo em janeiro com a Primavera Árabe, passou pelos protestos na Espanha, pelos tumultos na Inglaterra e culminou com o movimento Occupy, que a princípio ocupava apenas o Zuccotti Park, perto de Wall Street, em Nova York, e depois tornou-se global. Até mesmo as marchas realizadas na Avenida Paulista e o infame Churrascão da Gente Diferenciada em Higienópolis, em São Paulo, fazem parte dessa recusa planetária, que usa o próprio Facebook e as câmeras em telefones celulares para divulgar o que está acontecendo – a favor e contra. Muitos desses protestos começaram especificamente a partir de denúncias feitas na internet. Fatos que foram simples como o vídeo online que deu origem à maior manifestação popular na Rússia desde o fim da União Soviética ou arbitrários como a decisão do governo de Hosni Mubarak de cortar a internet do Egito.
Embora pareça que esses dois acontecimentos distintos – a morte de Steve Jobs e a série de protestos populares pelo planeta –não têm comunicação entre si, Matias chama a atenção para o fato de que, sem um líder carismático o suficiente para ser admirado, as multidões vão exigir cada vez mais. E vão começar a entender que a lógica fechada que querem impor à internet – e à rotina offline – é oposta às inovações culturais que a tecnologia digital tem proporcionado ao mundo. “A revolução digital não termina na tela – e sim quando alcançamos quem está do outro lado dela. Somos praticamente anfíbios e habitamos o mundo seco (offline) e o molhado (online) ao mesmo tempo. Mas ainda estamos encantados com a descoberta do respirar debaixo d’água que é viver na internet. Resta agora começar a tirar a cara de dentro do computador e perceber que a vida a nosso redor. 2012 nos espera”, conclui o editor. Confira os outros textos do caderno.

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